Eleicões Americanas e a Economia

Carlo Barbieri
Posted on novembro 14, 2018, 9:59 am
4 mins

Na semana passada, conversando com um experiente advogado americano perguntei: O que das eleições americanas. A sua resposta dá bem o tom da visão de uma boa parte da população do país: nada, amanha (dia das eleições) tenho que levantar, trabalhar e pagar minhas contas.

O que vimos nas últimas eleições mostrou que algo está mudando nesta situação.

Um consultor de verdade, entende que, para dar um conselho e fazer um plano para a empresa, além de um atualizado conhecimento de gestão, necessita conhecer e entender macroeconomia e para isto tem que ter uma análise acurada da política local e internacional.

Até uma pequena pastelaria depende disso.

Vamos fazer algumas considerações sobre estas eleições recentes e suas consequências:

O Presidente Trump afirma que ganhou, pois manteve o Senado e não houve a esperada “onda azul” que estava sendo esperada.

Com o controle do Senado vai seguir com a nomeação de juízes federais conservadores, mas, após 8 anos de nomeações de juízes liberais pelo presidente Obama, ainda faltariam 6 de Trump para equilibrar as contas. Fora isto, pouco poderá fazer o Presidente para manter sua agenda.

Os Democratas tomando a Camara de Representantes, já preparam mais de 80 ações de investigação sobre o presidente e sua administração, que deverá ocupar toda a pauta do Congresso, sobrando pouco para as ações legislativas, em si. Lembremo-nos de que o orçamente passa por lá!!!

Espera-se, em consequência, mais um pugilato no legislativo do que algo realmente interessante em termos de leis que modificar ou interessar a população. Neste sentido, se não houver uma mudança no quadro democrata, ele estão, de fato, ajudando na reeleição do Trump em detrimento do interesse dos americanos.

Com a eleição de democratas mais afastados do centro, teremos um distanciamento dos votos dos independentes e democratas mais conservadores.
Desta forma teremos um partido republicano desfigurado que será “Trumpista” e um partido Democrata esquerdista, que se afasta de suas bases de centro.

Por outro lado, este enfrentamento diminuirá o poder de negociação dos acordos internacionais do presidente, paralisando ou pelo menos diminuindo o ritmo da agenda de um EUA forte e exportador.

Em termos de crescimento interno, não deverá haver um soluço grande pois a diminuição dos impostos e a consequência atração de novos capitais externos, além da repatriação das grandes corporações americanas, manterão o crescimento e o emprego.

Potencialmente, a diminuição dos impostos para a classe média deverá ser o sustentáculo maior do crescimento e peca fundamental nas eleições de 2020.

A maior preocupação esta no ciclo normal de correção do crescimento que ocorre em média a cada 7 anos e que esperava fosse ocorrer no máximo em 2019, mas com os fatos novos no que diz respeito aos impostos, desburocratização e perspectivas do mercado externo, esta correção está adiada “sine die”

Carlo Barbieri
Empresário e Consultor

CEO do Grupo Oxford Carlo Barbieri é formado em Economia e em Direito e fez mais de 60 cursos de especialização no Brasil e no exterior.

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