Lineu Vitale
Posted on novembro 06, 2017, 4:19 pm
4 mins

No ano havia uma expectativa sobre a constante queda de movimento nos shopping centers dos Estados Unidos e, por conseguinte, nas grandes lojas de departamento. Pois a previsão se confirmou: neste final de ano essas megaredes não vão ganhar presente de Natal. O americano continua comprando, só que de forma diferente. A dificuldade está em competir com o as vendas online, o e-commerce, cuja expectativa do mercado tornou-se realidade. Quase todas as grandes redes subestimaram a força da Amazon, que caminha para, em dois anos, responder por mais de um terço de todas as vendas, incluindo e-commerce e presencial.

Como foi possível Macy’s e Nordstrom não preverem o óbvio? Demoraram demais para enxergar o que seus clientes já haviam visto há tempos e mudado seu hábito de compras. As lojas de departamento esperavam ter tempo para se reinventar, mas talvez não tenha sobrado oxigênio suficiente nem para a linha de chegada. A Morgan Stanley previu esse apocalipse dos malls há muito tempo e Wall Street se prepara para receber o impacto. Não devemos nos enganar pelo fato da Macy’s estar empregando nesta época de festas como reforço para o final do ano. Enquanto as ações da Amazon subiram 48% neste ano, os papéis da Macy’s tiveram queda na mesma proporção, o que demonstra claramente a mudança de hábito dos consumidores e fuga dos investidores. As ações da Nordstrom estão em queda de 20%.

A Amazon se tornou tão dominante no mercado que é responsável por metade do crescimento do e-commerce, e a previsão é que no quarto trimestre responda por 35% do e-commerce com um todo.

Além disso, após comprar o Whole Foods à vista por 13 bilhões de dólares e estar se preparando para revolucionar o modelo de compras nesse segmento, prepara-se também para lançar sua própria frota de entregas, num modelo semelhante ao FedEx. Mesmo o poderoso Walmart e outros tradicionais líderes de mercado tentam agora acompanhar, ou pelo menos se aproximar, dessa tendência, que não é nova, mas que todos demoraram muito a reagir. O Wallmart abre no seu website espaço aos pequenos “retailers”, bem ao estilo Amazon. Não será fácil se aproximar do líder por que os investidores no momento fogem desse modelo de negócio depois da falência da Toys ‘R’ Us, que viu suas vendas despencarem e seu débito chegar a 5 bilhões de dólares pouco antes da época de maior movimento do ano. A megarede de brinquedos declarou que a maior parte das lojas é rentável, mas que caminhava na direção errada. Não sabemos exatamente a que direção se referem, mas eles têm razão quanto a isso. Entretanto, conforme fontes de Wall Street, a rede terá obrigatoriamente que fechar suas lojas deficitárias, parte do acordo de recuperação judicial.

Ao todo, quase 7 mil lojas já fecharam neste ano, superando os números recorde da crise financeira de 2008. E ainda não chegamos ao fundo do poço.

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